segunda-feira, 13 de julho de 2015

Nos resgate Maria Júlia

Maria Júlia, jornalista da Globo, está sendo ofendida e desrespeitada por manifestações racistas nas redes sociais.
Creio que tais manifestações devem-se à falta de orientação, educação e ao racismo em nosso País. Um racismo sofisticado que nao se sabe ao certo quem pratica, mas sabemos quem sofre.

Um Brasil que acorda vendo na tv,  jornalistas brancos, passa o dia com comunicadores brancos e vai deitar vendo apresentadores brancos.
Um Pais que  de repente se assusta com a presença negra na sua tela, e o que deveria ser normal, num País de mais de cinquenta por cento de pessoas negras, passou a ser anormal.

Este País e as suas elites, que se querem ibéricas, nao aceitam a mulher negra na tv. Infelizmente,  nao aprendemos a nos ver por inteiro.
A culpa também é da tv e dos demais meios culturais circulantes - tv, rádio, revista, jornal, que nas suas grades de programação e propagandas, todas elas despossuidas da nossa presença negra, da cor do Brasil, esquecem de retratar o Pais na sua diversidade.

Um Pais que infelizmente ainda tem vergonha de se olhar no espelho e de se ver por inteiro.
A Bahia sai em defesa, não da jornalista agredida, mas em defesa da consciência nacional,  que precisa aprender a ver um Brasil sem o photoshop étnico que tanto nos envergonha.
É sempre bom lembrar que os líderes politicos e empresariais do mundo inteiro sempre perguntam, quando dos encontros e colóquios internacionais: "onde estão os negros e negras desse País, que nunca estão nas agendas internacionais?"
O Brasil avança nas politicas afirmativas, mas ainda temos muito por fazer.
Nos resgate, Maria Julia, você é a negra da vez, neste Pais que se acostumou a ver duas crianças brincando de carrinho: uma brinca de empurrar o carrinho e a outra brinca de ir dentro do carrinho. As duas crianças brincam, mas apenas uma empurra. Você ousou em ficar dentro do carrinho. Isto incomoda.

Ailton Ferreira, sociólogo

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sepromi participa dos festejos de 2 de julho

A equipe da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participou nesta quinta-feira (2), em Salvador, dos atos e festividades oficiais dos 192 anos da Independência da Bahia, que movimentaram a capital reunindo autoridades, artistas, estudantes, turistas, movimentos sociais e população em geral. A programação começou no Largo da Lapinha, com hasteamento das bandeiras nacional, estadual, de Salvador e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). Em seguida foram depositadas flores no busto do general Labatut.
Na sequência, acompanhando o governador Rui Costa, secretários estaduais e servidores, a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, caminhou no tradicional cortejo que tem à frente os carros do Caboclo e da Cabocla, rito que é realizado todos os anos pelos baianos. A secretária disse que as comemorações do 2 de Julho servem para reanimar os ideais de luta e liberdade. “O processo de independência é um exercício de todos os dias, inclusive através da construção do diálogo, da manutenção da democracia e, sobretudo, no combate às intolerâncias e na efetivação políticas que promovam a igualdade racial e as reparações históricas”, afirmou.
A secretária destacou o tema do desfile deste ano, que faz uma homenagem às “Guerreiras da Independência”, a exemplo de Maria Felipa, segundo ela, um dos maiores referenciais nas lutas libertárias da Bahia. Trabalhadora braçal, pescadora e marisqueira, Maria Felipa de Oliveira liderou um grupo composto por outras mulheres negras, além de homens de diversas etnias, em batalhas contra os portugueses que atacavam a Ilha de Itaparica, a partir de 1822. Construiu trincheiras, organizou o envio de mantimentos para o Recôncavo e participou de conflitos.
Para o governador Rui Costa, o 2 de Julho simboliza a raça, determinação e coragem, além do desejo de liberdade do povo baiano. “Aqui se materializou a Independência do Brasil, não só da Bahia. Espero que, não muito longe, haja um reconhecimento nacional dessa data”, disse Rui, que já chegando ao Pelourinho foi conduzido pela secretária Vera Lúcia Barbosa à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, quando conversaram com religiosos e integrantes da Irmandade.
Homenagens – A secretária da Sepromi participou, ainda, dos ritos oficiais na Praça Dois de Julho (Campo Grande), que contou com a recepção às imagens do Caboclo e da Cabocla, além de hasteamento das bandeiras do Brasil, da Bahia e de Salvador. O governador e outras autoridades também depositaram coroas de flores no Monumento ao 2 de Julho. No mesmo local, Gabriela Vita Souza, campeã baiana de atletismo, chegou à praça com o fogo simbólico e acendeu a pira, ritual que se cumpre todos os anos. Ela usou uma tocha que é conduzida desde a cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, percorrendo as principais cidades envolvidas nas lutas pela independência.
Em seguida, o Governo do Estado lançou o novo site da Biblioteca Virtual Dois de Julho, que leva o nome de Consuelo Pondé, em homenagem à historiadora que presidiu o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) por 19 anos e faleceu no último mês de maio, considerada uma das maiores personalidades na área da defesa, preservação e memória da nossa história. “As pessoas que viveram ou vivem pelo fortalecimento da cultura da Bahia e das nossas raízes precisam ser lembradas, enaltecidas e eternizadas. O trabalho de Consuelo tem nossa homenagem e reconhecimento”, afirmou o governador, diante dos familiares da homenageada.
O evento contou, ainda, com a presença de pesquisadores, historiadores, artistas, ativistas do movimento negro, além onte: Sedo dirigente da FPC, Zulu Araújo, da titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, dos secretários da Cultura, Jorge Portugal, do Turismo, Nelson Pellegrino, e de Comunicação Social, André Curvello, dentre outras autoridades.
Fonte: Sepromi

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cachoeira, 25 de junho de 2015

Cachoeira, 25 de junho de 2015:
Um passeio pela história do Brasil, lições e mais lições,
Um privilégio para poucas pessoas.

Manhã, tarde e noite; na Câmara Municipal, nas casas e nas ruas.
Uma enciclopédia andante com tanta gente boa,
Cachoeira que nesta quinta-feira do Caçador, e não da caça, cantou e encantou a multidão,

Cachoeira ancestral,
A terra onde as palavras tem vôo e pouso próprios.
E foi no Pouso da Palavra que reencontramos o risco ousado de Damário da Cruz.

Cachoeira ancestral que nos envolve na celebração da Eucaristia na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e que nos cativa e faz dengo nos braços da Egbomi Nice da Casa Branca e de Mãe Mariá.
Que leitura agradável ! 
E haja texto para ler, num desfile que durou toda a tarde e rompeu a noite.
Jovens garbosamente vestidos e bem arrumados, sob a forte e insistente chuva que desceu para a festa cívica. Mestres - alunos das Escolas Públicas, todas em letras maiúsculas e garrafais.

Um povo vencedor contando a própria história.
Reivindicando e querendo mais.

Viva o Recôncavo!
Viva a cidade de Cachoeira!
Um jeito de ser e de fazer.








sábado, 30 de maio de 2015

Inauguração da Praça Pulchéria no Terreiro do Gantois

Terreiro do Gantois, na  manhã de sábado durante a inauguração da Praça Pulchéria, bairro da Federação, Salvador - Bahia.
Apresentação do coral inter religioso, formado por pessoas de várias religiões, cantando músicas de varias religiões. Direção do pastor Djalma Torres, da Igreja Batista de Nazaré
 

" Só se ver na Bahia! "
Podemos ser uma escola para o mundo.






quinta-feira, 28 de maio de 2015

Seminário sobre União Africana reúne representantes de cinco países em Salvador


Representantes do Benin, Gana, Angola, Guiné e Nigéria participam, nesta sexta-feira (29), em Salvador, de seminário sobre os 13 anos da União Africana (UA), promovido pelo Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela. Em alusão ao Dia da África, celebrado no último dia 25, o encontro será realizado a partir das 14h30, no próprio equipamento social, que é vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) e está situado na Av. 7 de Setembro (Centro).

União Africana - Criada em 2002, em substituição à antiga Organização da Unidade Africana, a UA é constituída nos moldes da União Europeia e da Comunidade das Nações. O grupo empenha-se na promoção da democracia, dos direitos humanos e do desenvolvimento no continente africano, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio da “Nova Parceria para o Desenvolvimento da África”, que tem privilegiado projetos onde o termo "parceria" se sobreponha ao de "assistência”.

Serviço:
O quê: Seminário ‘União Africana: 13 anos – Desafios e Expectativas para o Futuro”
Quando: 29.05.15 (sexta-feira), às 14:30hs
Onde: Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela - Av. 7 de Setembro, Edf. Brasilgás - 1º andar, Centro - Salvador/Bahia (mesmo prédio da Fundação Pedro Calmon).

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Saiba porque o dia 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Araceli Cabrera Crespo tinha 8 anos quando foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada, no Espírito Santo, em 1973. Nesta segunda-feira (18), o desaparecimento da menina completa 42 anos, mas ninguém foi punido pelo crime. Após a prisão, julgamento e absolvição dos acusados, o processo foi arquivado pela Justiça.
Em memória à menina Araceli, uma das mais emblemáticas vítimas de violência contra a criança no país, o dia 18 de maio foi instituido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000.

O desaparecimento

No dia 18 de maio de 1973, uma sexta-feira, Araceli saiu de casa, no bairro de Fátima, na Serra, e foi para a Escola São Pedro, na Praia do Suá, em Vitória. No dia, a menina saiu da escola mais cedo, a pedido da mãe, Lola Cabrera Crespo.

Dias após o desaparecimento, em 24 de maio, o corpo de uma criança foi encontrado desfigurado e em avançado estado de decomposição em uma mata atrás do Hospital Infantil, em Vitória.
Durante as investigações, provas e depoimentos misturaram fatos com boatos. Mesmo 42 anos após o desaparecimento de Araceli, o assunto ainda é um mistério. Além de grande parte das testemunhas terem morrido, as que ainda estão vivas se recusam a falar do assunto.
Em entrevista ao Globo Repórter de 1977, o promotor Wolmar Bermudes explicou a quem se destinavam as acusações.
Em 1980, o juiz responsável pelo caso, Hilton Silly, definiu a sentença: Paulo Helal e Dantinho deveriam cumprir 18 anos de reclusão e o pagamento de uma multa de 18 mil cruzeiros. Dante Michelini foi condenado a 5 anos de reclusão.


Segundo a mulher, Araceli precisava sair antes da aula terminar, porque poderia perder o ônibus que a levaria de volta para casa.
Após sair da escola, ela foi vista por um adolescente em um bar entre o cruzamento das avenidas Ferreira Coelho e César Hilal, em Vitória.
Ainda de acordo com esse adolescente, a menina não entrou no coletivo e ficou brincando com um gato no estabelecimento. Depois disso, Araceli não foi mais vista. À noite, o pai, Gabriel Sanchez Crespo, iniciou as buscas.

Corpo é encontrado

Inicialmente, o pai de Araceli reconheceu o corpo como sendo da menina. No dia seguinte, ele negou, afirmando que o corpo não era o da filha desaparecida. Meses depois, após exames, foi constatado que o corpo era mesmo de Araceli.

Testemunhas e contradições

Diante dos fatos apresentados pela denúncia do promotor Wolmar Bermudes, a Justiça chegou a três principais suspeitos: Dante de Barros Michelini (o Dantinho), Dante de Brito Michelini (pai de Dantinho) e Paulo Constanteen Helal – todos membros de tradicionais e influentes famílias do Espírito Santo.
A versão da morte da menina apresentada pela acusação, que mais tarde terminou no julgamento dos acusados, afirma que Araceli foi raptada por Paulo Helal, no bar que ficava entre os cruzamentos da rua Ferreira Coelho e César Hilal, após sair do colégio.
No mesmo dia, a menina teria sido levada para o então Bar Franciscano, na Praia de Camburi, que pertencia a Dante Michelini, onde foi estuprada e mantida em cárcere privado sob efeito de drogas.
Por causa do excesso de drogas, Araceli entrou em coma e foi levada para o hospital, onde já chegou morta. Segundo essa versão, Paulo Helal e Dantinho jogaram o corpo da menina em uma mata, atrás do Hospital Infantil, em Vitória.

Acusação

"O Dante Michelini pai pesa a acusação de haver mantido a menor em cárcere privado, dois dias, no sótão do seu bar, em Camburi. Contra os dois, o Dante Filho e o Helal, pesam as acusações de haverem os dois ministrado a infeliz menor tóxicos e haverem ainda de maneira violenta mantido congresso carnal com a infeliz menina", disse na entrevista.
Ainda segundo a denúncia, Dante Michelini usou suas ligações e influência com a polícia capixaba para dificultar o trabalho da polícia. Além disso, testemunhas-chave do processo morreram durante as investigações. Nenhuma dessas acusações foi provada.
Durante o julgamento, Paulo Helal e Dantinho negaram conhecer Araceli ou qualquer outro membro da família Cabrera Crespo.

Julgamento

Na ocasião, o juiz Hilton Silly disse em entrevista ao Jornal da Globo que os três foram condenados, porque foi provada a materialidade e a autoria do crime.
"Foi através não só da farta prova testemunhal, mas também, sobretudo, da prova indiciária, que é chamada prova artificial indireta por circustancial, baseado em indícios veementes, graves, sérios e em perfeita sintonia de causa e efeito com o fato principal", afirmou.
Os acusados recorreram da decisão e o caso voltou a ser investigado. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo anulou a sentença, e o processo passou para o juiz Paulo Copolilo, que gastou cinco anos para estudar o processo.