quarta-feira, 29 de abril de 2009

Olodum 30 anos de sensibilidade e abrigo‏

Parabéns à família Olodum pela persistência, pelo grito em forma de canto, pelas cores que nos resgataram a africanidade, pelo toque carinhoso na sensibilidade do Pelourinho, pela batida que elevou a auto-estima dos nossos negros e negras dos becos desta cidade tão injusta com quem lhe deu o peito e o colo de mães-pretas.

O Olodum mostrou ao mundo as vísceras do lugar mais sensível da Bahia, do lugar mais simbólico e representativo das nossas contribuições civilizatórias no fazimento do que aprendemos chamar de Brasil.

O antigo "Baixo Meretrício", "Zona de Prostituição", nomes tão repetidos nas crônicas policiais dos jornais baianos, foi reafirmado como um lugar de construção de outras palavras, outros sonhos, novas possibilidades, enfim, para os filhos e filhas do povo nascidos no ventre do Brasil mais profundo e sensível.

O Olodum reescreveu para o mundo, uma Bahia mais consciente e mais afirmativa do que a escrita pelo escritor Jorge Amado. Depois do Olodum o Pelourinho não é mais aquele, Vamos olhar a cara dele e conhecer os novos príncipes e princesas afro-baianas que garbosamente fazem cidadania, constróem saberes, ocupam a academia, disseminam novas estéticas e lutam pelo poder político. Mulheres e homens empurrados para a marginalidade , para a invisibilidade, mas que resistiram e construíram, novamente, como antes, novos códigos de sobrevivência, fazendo alianças estratégicas, negociando com os mercados, administrando os conflitos com os poderes estabelecidos, mas focados num objetivo, batendo a mesma batida do coração libertário. Lembro-me, quando atuei na condição de educador no Programa de Qualificação do Trabalho Cultural, resultado de convênio entre a UNEB o OLODUM e outras entidades, o momento da certificação de quase quinhentos jovens que com lágrimas de felicidade recebiam os diplomas com a chancela da Universidade do Estado da Bahia das mãos da Magnífica Reitora Ivete Sacramento. Lembro-me de algumas de suas palavras: " Os nossos meninos tocam tambor sabendo quando querem tocar, porque e para quem tocar".

Quero partilhar esta nossa emoção com a pedagoga e educadora, mulher de raça, colaboradora da Escola Criativa Olodum, a minha irmã Kátia Melo.

Ailton Ferreira, subsecretário municipal da Reparação

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