No encontro que marcou a retomada das atividades do programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI), ocorrida nesta terça-feira (31), no Auditório da Fundação Cidade Mãe, o secretário da Reparação Ailton Ferreira ressaltou que a o desenvolvimento não se resume apenas a construção de estradas, a mudança de comportamento e de consciência são muito importantes.
“Nosso trabalho na Secretaria é diferente das outras, nossa função é mudar a mentalidade das pessoas e, isso é difícil. As correntes que um dia, acorrentaram as pernas e os braços de nossos ancestrais, continuam ainda mesmo que de forma invisível, acorrentando nossas cabeças. Não adianta escolas bonitas se as cabeças continuam com as idéias ainda desarrumadas. Hoje, estamos colocando esta pauta dentro da organização pública. O Estado não foi construído para nós e sim para nossos colonizadores. Nós construímos, mas sem direito a benefícios”, disse o secretário. Durante o evento, o psicólogo Valter da Mata, que proferiu palestra sobre “Impactos psicológicos do racismo e sua subjetividade na formação de identidade institucional” relatou que ao grupo negro, são associados uma série de estereótipos negativos, fato que o impede de ascender numa institucional, por exemplo. O psicólogo e também coordenador do Centro de Referência de Psicologia e Políticas Públicas citou algumas dicas importantes que devem ser utilizadas como instrumento de combate. “Precisamos realizar debates, estudarmos e nos organizarmos para chegarmos num momento como este onde reuni representantes de diversas secretarias para juntos combater o racismo institucional”, ressaltou. Além de da Mata, se fizeram presentes no evento que marcou a retomada do Programa, todas as representantes que por vários meses se reuniram para elaborar ações de combate ao racismo dentro da instituição pública. No relançamento do Programa estavam presentes diversos representantes de Secretaria, como a Seplag, Superintendência de Políticas Públicas para Mulheres, Além da Sucom, Sucop, Saltur e ouvidoria do Município. O Programa de Combate ao Racismo Institucional nasceu durante o processo de organização da comitiva brasileira para a III Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em 2001 na África do Sul. Em Salvador, a Semur tem como finalidade envolver todas as Secretarias, objetivando atender ao módulo de gestão atual voltado ao respeito à diversidade racial. O racismo nas instituições pode ser visto ou detectado em processos, atitudes ou comportamentos que denotam discriminação resultante de preconceito inconsciente, ignorância, falta de atenção ou de estereótipos racistas que coloquem minorias étnicas em desvantagem. Este tipo de comportamento impede o acesso adequado da população negra aos bens e serviços públicos, ampliando ainda mais as desigualdades sociais e raciais. O Racismo Institucional é a incapacidade das instituições e organizações em prestarem serviços adequados e garantirem o atendimento pleno às pessoas em decorrência da sua origem étnica, cor ou cultura. Essa incapacidade em servir plenamente manifesta-se através de normas obsoletas, práticas e comportamentos discriminatórios ocorridos no especo de trabalho, resultantes da ignorância, da falta de atenção, do preconceito ou de estereótipos racistas.
FONTE: SEMUR
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