terça-feira, 28 de setembro de 2010

Palhaços do circo Brasil

Por Aninha Franco

Ninguém fala em cultura, mas a campanha eleitoral é o circo do Brasil com a Mulher Pêra, Tati Quebra – Barraco, Tiririca, Léo Kret (Uai!), Mulher Melão, Batoré e outros palhaços. Política é coisa séria, envolve a sua, a minha, a nossa vida e bem-star, e quando Tiririca entra na televisão, pede voto para deputado federal e declara ignorar para que serve um, arremata que, se ganhar, pior não fica, e pode tornar-se célula do Congresso Nacional com a criação de Florentina no currículo, a coisa é perigosa. O mesmo Tribunal Eleitoral que proíbe os programas de humor caracterizam candidato libera essas aberrações.

Vocês, leitores, sabem que o meu lado é o nosso lado, que as minhas crônicas são nossas crônicas, mas nessa questão não dá para nos proteger. A culpa desse circo de horrores é nossa, de nós que temos preguiça de freqüentar as reuniões de condomínio e defender a ordem da vida em comum. De nós que, se não fôssemos obrigados a votar, deixaríamos que os próprios candidatos se encarregassem das urnas. De nós que não conseguimos escapar da síndrome da irresponsabilidade total. Dos que fazem filhos, mas não querem protegê-los, dos que esculhambam a ladroagem no Congresso, mas se aproveitam da Lei de Gerson para levar uma ponta aqui, ali e acolá sempre que possível. Desse ser brasileiro desprezado no mundo inteiro, que quer que a vida lhe leve, leve, sem nenhum esforço e que torce para que o mar pegue fogo para comer peixe frito.

Nós temos que entender que se Tiririca ganhar as eleições fica pior, sim, para nosso encantador bem-star que há muito tempo não está nada encantador. Deputado federal existe para vigiar o Poder Executivo e transformar as precisões da sociedade em lei, portanto a nossa escolha deve ser cirúrgica. Em deputado que aumentou seu patrimônio além do razoável, bisturi; para candidato ficha-suja, tesoura; para candidato sem propostas, um sequer, defensável nos próximos quatro anos, lixo. Os circos se refletem. Um dos lados tem que quebrar o espelho. Que sejamos nós que já criamos a Lei da Ficha Limpa contra todas as previsões possíveis.


Texto publicado na Revista Muito

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